Têm estranhado os meus amigos a minha ausência deste espaço. Na verdade tenho andado várias vezes pelos curtos comentários ou mensagens do Facebook. Mas claro que não é a mesma coisa. O Facebook tem a tentação da facilidade de troca de opiniões, mas não pemite a profundidade das mensagens, mais pensadas, que aqui se colocam; no FB não existe a presença contínua e a qualidade que aqui se consegue.Vamos então revitalizar este espaço e valorizar igualmente os blogues de tantos amigos que aqui fiz ao longo destes dois anos.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
Queimada
Esconjuro
Mochos, corujas, sapos e bruxas.
Demónios, trasgos e diabos,
espíritos das enevoadas veigas.
Corvos, píntigas e meigas:
feitiços das mezinheiras.
Podres canhotas furadas,
lar dos vermes e alimárias.
Fogo das Santas Companhas,
mau-olhado, negros feitiços,
cheiro dos mortos, trovões e raios.
Uivar do cão, pregão da morte;
focinho do sátiro e pé do coelho.
Pecadora língua da má mulher
casada com um homem velho.
Averno de Satã e Belzebu,
fogo dos cadáveres ardentes,
corpos mutilados dos indecentes,
peidos dos infernais cus,
mugido do mar embravecido.
Barriga inútil da mulher solteira,
falar dos gatos que andam à janeira,
guedelha porca da cabra mal parida.
Com este fole levantarei
as chamas deste fogo
que assemelha o do Inferno,
e fugirão as bruxas
a cavalo das suas vassoiras,
indo se banhar na praia
das areias gordas.
Ouvi, ouvi! os rugidos
que dão as que não podem
deixar de se queimar na aguardente
ficando assim purificadas.
E quando esta beberagem
baixe pelas nossas goelas,
ficaremos livres dos males
da nossa alma e de feitiço todo.
Forças do ar, terra, mar e fogo,
a vós faço esta chamada:
se é verdade que tendes mais poder
que as humanas pessoas,
aqui e agora, fazei que os espíritos
dos amigos que estão fora,
participem connosco desta Queimada.
O esconjuro da queimada foi escrito por Mariano Marcos Abalo em 1967 e revisto em 1974.
Assim o ouvi ontem, sexta-feira 13, dito pelo Pe. Fontes.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Wait a While
Depois de ter assistido ao concerto dos míticos e lendários Deep Purple, no Coliseu de Lisboa, resolvi ir à procura de Jon Lord, o único dos seus elementos que já se retirou (devido a um acidente). Fiquei feliz por saber que continua a fazer muito boa música. Encontrei-o com a Orquestra Sinfónica de Londres.
Recordam-se de Samantha Brown, a cantora que várias vezes colaborou com os Pink Floyd? Aqui está ela a cantar o belo tema de John Lord ''Wait a While'', acompanhada ao piano pelo autor e pela referida orquestra. Comovente e encantador!
terça-feira, 6 de julho de 2010
Tila
Caixinha de música
Grilo, grilarim,
Tens um canto azul
Na noite de cetim!
Cigarra, cigarraia,
Tens um canto branco
No dia de cambraia!
Formiga, miga, miga,
Só tu cantas os nadas
Do silêncio do Sol,
Das estrelas caladas...
(1921-2010)
in O Livro da Tila
Este delicioso livro inspirou Fernando Lopes-Graça a compor canções infantis para cada um dos poemas.
Estão publicadas no livro "As cançõezinhas da Tila", com cópias das partituras originais manuscritas, com belíssimas ilustrações de Maria Keil, e com um CD das canções cantadas pela Banda "Os Gambozinos" (Livraria Civilização Editora).
Uma preciosidade e uma bela homenagem à escritora hoje falecida.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Le bourgeois gentilhomme
Le Bourgeois gentilhomme (Lully), será apresentada no "Auditório Municipal Eunice Muñoz", Oeiras, dia 27 de Junho às 21.30 h.
(Coordenadas do local: 38°41'30.59" N; 9°18'45.93" W, Rua Mestre de Aviz, 2780 Oeiras)
Um grande produção com orquestra barroca, dança, teatro, canto.
Aqui convido os meus amigos a estar presentes!
(não, não serei bailarino, nem actor, nem cantor!)
Um exemplo musical:
Agora com o ballet:
(Coordenadas do local: 38°41'30.59" N; 9°18'45.93" W, Rua Mestre de Aviz, 2780 Oeiras)
Um grande produção com orquestra barroca, dança, teatro, canto.
Aqui convido os meus amigos a estar presentes!
(não, não serei bailarino, nem actor, nem cantor!)
Um exemplo musical:
Agora com o ballet:
domingo, 20 de junho de 2010
A maior flor do mundo
“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?” - José Saramago
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Declaração
Não, não há morte.
Nem esta pedra é morta,
Nem morto está o fruto que tombou:
Têm vida no contorno dos meus dedos,
Respiram na cadência do meu sangue,
Do bafo que os tocou.
Assim um dia, quando esta mão secar,
Na lembrança doutra mão perdurará,
Como a boca guardará caladamente
O perfume da boca que beijou.
in Os poemas possíveis
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O portugal futuro

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
(1933-1978)
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Corpus Christi
Ave Verum Corpus, K.618 - conhecida obra que Mozart terminou a 17 Junho de 1791 para a festa litúrgica do Corpus Christi (expressão em latim que significa Corpo de Cristo) que hoje se celebra.
O poema/oração usado como texto do Ave Verum foi escrito no séc. XIV. Valerá a pena espreitar várias curiosidades nele contidas, descritas AQUI por L. Jean Lauand (Universidade de S. Paulo).
Fica como sugestão de audição a interpretação profundamente sentida do grande maestro Leonard Bernstein, dirigindo o Coro e Orquestra Sinfónica de Bayerischen Rundfunks:
O poema/oração usado como texto do Ave Verum foi escrito no séc. XIV. Valerá a pena espreitar várias curiosidades nele contidas, descritas AQUI por L. Jean Lauand (Universidade de S. Paulo).
Fica como sugestão de audição a interpretação profundamente sentida do grande maestro Leonard Bernstein, dirigindo o Coro e Orquestra Sinfónica de Bayerischen Rundfunks:
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