quinta-feira, 3 de junho de 2010

Corpus Christi

Ave Verum Corpus, K.618 - conhecida obra que Mozart terminou a 17 Junho de 1791 para a festa litúrgica do Corpus Christi (expressão em latim que significa Corpo de Cristo) que hoje se celebra.
O poema/oração usado como texto do Ave Verum foi escrito no séc. XIV. Valerá a pena espreitar várias curiosidades nele contidas, descritas AQUI por L. Jean Lauand (Universidade de S. Paulo).
Fica como sugestão de audição a interpretação profundamente sentida do grande maestro Leonard Bernstein, dirigindo o Coro e Orquestra Sinfónica de Bayerischen Rundfunks:


sábado, 15 de maio de 2010

Tenho uma coisa para te devolver

Sharon Dror: Green blue


Tenho uma coisa para te entregar,
uma pedra a pôr no chão da rua,
uma lunar presença sob o sol.

Tenho uma coisa para te devolver,
para ficar minha sendo tua,
aquecida no tempo e nestes olhos.

Tenho uma coisa que eu te posso dar
que é o vento a vir atrás do verde
e a dizer azul no teu cabelo.
(n. 1934)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Desafios à Igreja de Bento XVI

"Que fazer perante o número crescente de crentes que não frequentam a igreja?
Terá o Papa de continuar a governar sozinho a Igreja?
Qual o lugar de Fátima na Igreja?
Será que a Igreja, hoje, está ao lado dos pobres, imigrantes e marginalizados?
Quando verão as mulheres respeitados os seus direitos na Igreja?
Como responder à homossexualidade, à sida, à pedofilia?
Como dialogar com as outras Igrejas e religiões?
Pode e deve a fé conviver com a ciência?"

Estes e outros temas são reflectidos por personalidades portuguesas de reconhecida competência, neste livro publicado em 2005 mas perfeitamente actual.

Editor: Casa das Letras
ISBN: 9789724616292

Os autores:

A. Gomes Canotilho - Constitucionalista. Prof. catedrático da Fac. Direito da Univ. de Coimbra
Adriano Moreira - Prof.-Emérito da Univ. Técnica de Lisboa. Presidente do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior
Guilherme D' Oliveira Martins - Advogado. Presidente do Centro Nacional de Cultura
António Vitorino - Advogado. Deputado. Antigo comissário europeu
João Duque - Prof. de Teologia Fundamental da Fac. de Teologia da Univ. Católica Portuguesa, Braga
João Maria André - Prof. catedrático de Filosofia da Fac. de Letras da Univ. de Coimbra
Pe. Peter Stilwell - Prof. da Fac. de Teologia da Univ. Católica Portuguesa
Alexandre Castro Caldas - Prof. catedrático da Fac. de Medicina da Univ. de Lisboa. Director do Instituto de Ciências da Saúde da Univ. Católica Portuguesa
Clara Pinto Correia - Universidade Lusófona. Centro de Estudos da História das Ciências Naturais e da Saúde
Teresa Martinho Toldy - Doutorada em Teologia. Prof. de Ética da Univ. Fernando Pessoa
Rui Coelho - Psiquiatra. Prof. da Fac. de Medicina da Univ. do Porto
Manuel Vilas-Boas - Jornalista da TSF e colaborador da Visão. Especialista em questões religiosas e de comunicação audiovisual
Dimas de Almeida - Pastor protestante. Prof. de Ciência das Religiões na Univ. Lusófona
D. Januário Torgal Ferreira - Bispo das Forças Armadas e da Segurança
Maria Julieta Mendes Dias - Religiosa do Sagrado Coração de Maria. Lic. em Teologia e Ciência das Religiões
Fr. Bento Domingues - Teólogo dominicano

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Os dedos iam bailando



Os dedos iam bailando
Sobre uma flauta encantada
Que se deixava acariciar suavemente
Por lábios que falavam música
E música que evocava sonhos
Imortalizados em partituras seculares…
Só em silêncio
Se escutava dignamente este despertar
De sons que se enamoravam no ar.
E os olhos e as mãos
Entregavam-se a ritmos conciliados
Com braços em asas
Que se faziam voar.
E a harmonia se instalava
Numa sala de soalho velho
Habitada por um piano preto
Com janelas abertas para um Rio
Que caminhava para o mar
E o músico…
Esse abandonou-se às sonâncias
Numa simbiose perfeita
E como o sol ao despedir-se em fim de tarde…
Ali se deixou imortalizar!



Assim descreve esta amiga a minha participação musical na tarde de poesia no Clube Literário do Porto, no dia 24 de Abril. Obrigado pelo belo poema!

sábado, 1 de maio de 2010

Um pássaro na cabeça

Rafał Olbiński: Magic Flute II


Bairro Livre

Meti o bivaque na gaiola
e saí com um pássaro na cabeça
Então não se faz a continência
perguntou o comandante
Não
não se faz a continência
respondeu o pássaro
Ah bom
desculpe julgava que se fazia a continência
disse o comandante
Ora essa toda a gente se pode enganar
disse o pássaro.

(1900-1977)
[Tradução de Eugénio de Andrade]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Orvalho


-«Perdi a minha gota de orvalho!»
diz a flor ao céu da manhã,
que perdeu todas as estrelas.
(1861-1941)
In Aforismos

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Schumann por Horowitz

Schumann: Träumerei (ao piano, Horowitz)




Schumann por Horowitz

São herança camponesa, as mãos.
Estas pequenas mãos, de geração
em geração, vêm de muito longe:
amassaram a cal, abriram sulcos
frementes na terra negra, semearam
e colheram, ordenharam cabras,
pegaram em forquilhas para limpar
currais: de sol a sol nenhum
trabalho lhes foi alheio.
Agora são assim: frágeis, delicadas,
nascidas para dar corpo a sons
que, noutras épocas, outras mãos
se obstinaram em escrever como
se escrevessem a própria vida.
Ao vê-las, ninguém diria que
a terra corria no seu sangue.
São mãos envelhecidas, mas no teclado
são capazes do inacreditável: juntar
nos mesmos compassos o rumor
dos bosques em setembro e os risos
infantis a caminho do mar.

(1923-2005)

sábado, 24 de abril de 2010

Menina dos Olhos Tristes

Adriano Correia de Oliveira:




pensava dizer-te o 25 de abril na tua orelha
mulher
mataram o teu filho do outro lado do mar

Óscar Possacos

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O poema nasce

Picasso: [Retrato de Marie-Thérèse Walter]















O poema nasce
dentro das tuas mãos
sempre que repousa
nelas o teu rosto.

Não é uma canção:
são os lábios apenas
quando despertaram
antes da palavra.

Arquitectura última
que depois se eleva,
porque tu a criaste
para sempre livre...

Fernando Guimarães

domingo, 18 de abril de 2010

As rosas em cadeias

Johana Svoboda: Rosas de ouro


















Na Primavera, a vi dormindo;

logo a prendi, atada em rosas.
Não as sentiu, no sono fundo.

Fitei-a bem, pende-me a vida
por este olhar, da sua vida!
Assim senti, mas não sabia.

Só um murmúrio, falei sem fala,
e sacudiu-lhe os róseos laços.
E ela acordou, do fundo sono.

Fitou-me bem, pende-lhe a vida,
por este olhar, da minha vida.
E à nossa volta, é o Paraíso.
(1724-1803)
(trad. de Jorge de Sena)