sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Halloween, há 20 anos

Foto: JRF 2008
Há pessoas que nos marcam profundamente. Algumas dessas pessoas são por vezes nossos professores e, além de nos ensinarem, ensinam-nos a ensinar. No decurso da minha vida tive alguns desses exemplos, mas hoje vou falar de dois, os meus dois últimos professores de Flauta. Nos 3 últimos anos do Conservatório, a prof. Katharine Rawdon (USA); na Escola Superior de Música, o prof. Nuno Ivo Cruz.
Há pouco mais de 20 anos, acabados de chegar da Holanda, trouxeram na sua bagagem novas ideias e conhecimentos que mudaram a forma de tocar e de ensinar Flauta em Portugal (curiosamente, eram na altura um casal). Dos dois absorvi quanto pude da sua arte, mas de cada um a sua forma de ensinar. Da Katharine fiquei a perceber a ternura e o afecto que um professor tem pelos seus alunos, o orgulho em vê-los progredir, e como isso ajuda na motivação para trabalhar. Sei por palavras suas, a alegria que lhe dá encontrar agora os seus alunos já como professores, e sei pela sua presença, a forma como gosta de continuar a acompanhar o nosso trabalho.
Do Nuno, aprendi a objectividade e sistematização do trabalho. Tantas vezes estou a ensinar os meus alunos e, perante um determinado problema, parece que oiço as palavras que ele me dizia sobre como o resolver. E transmito-as, agora já à luz da prática que fui ganhando na forma de as transmitir. Dou graças pela sorte que tive em formar-me com estes dois professores!
Mas por que surge isto no Dia das Bruxas (Halloween)? Bom, é que há 20 anos esse casal de professores juntou em sua casa vários dos seus alunos, e ofereceu uma festa com uma ementa de Halloween tipicamente americana! A tarte de abóbora, as bebidas típicas para a acompanhar, etc. E acima de tudo: a alegria de quem sabe que ser professor é muito mais do que transmitir conhecimentos a um aluno.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

1000!

Foi atingida a meta dos mil visitantes!
Ficou registada nesta hora:

Visitor's Time:
30 Oct 2008, 13:55:06
Visit Number:
1,000

Gostava de saber quem foi o 1000º!

Este Blogue

Quadro de Robert Schefman
Será que neste blogue só se fala do supérfluo? Apetecerá perguntar a quem ler sobre vinhos, filmes, livros, poemas, música, etc. Tanta miséria que vai pelo mundo e é disto que se trata aqui?
Precisamente! Sobre os males do mundo já a Net está inundada. Este blogue quer proporcionar pequenos momentos de paragem (as reflexões) e depois levar a todos os amigos a arte, esse bem que nos parece supérfluo, mas sem o qual não podemos viver. Desde sempre o Homem procurou a expressão artística, é ela que nos faz representar a beleza que é viver, é ela que torna o nosso coração mais sensível a tudo o que nos rodeia, é ela que nos consegue dar elevação de espírito, é ela que nos aproxima do humano e do divino. No dia em que a arte desaparecer, já não estaremos a viver, estaremos a sobreviver! Então vivamos com ARTE e com a ARTE.



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Esperança

POEMA SOBRE A CANÇÃO DA ESPERANÇA

Dá-me lírios, lírios,
E rosas também.
Mas se não tens lírios
Nem rosas a dar-me,
Tem vontade ao menos
De me dar os lírios
E também as rosas.
Basta-me a vontade,
Que tens, se a tiveres,
De me dar os lírios
E as rosas também,
E terei os lírios -
Os melhores lírios -
E as melhores rosas
Sem receber nada,
a não ser a prenda
Da tua vontade
De me dares lírios
E rosas também.


Álvaro de Campos (Fernando Pessoa 1888-1935)

O que estou a ouvir

Vários amigos mostram curiosidade em saber mais sobre o tema "La Folia", do qual falei numa mensagem anterior. Acrescento então que Jordi Savall gravou posteriormente um disco, que complementa o anterior, com peças de compositores que se basearam no famoso tema, ou peças com uma forma semelhante ("outras folias"). Trata-se do CD "Altre Follie, 1500-1750", onde se incluem duas das mais conhecidas obras sobre La Folia: as variações de Corelli e as de Vivaldi. Podem ouvir-se excertos AQUI.

Aconselho ainda a visita a um site dedicado exclusivamente ao tema "La Folia" que, de origem portuguesa (às vezes referida como espanhola), percorreu vários séculos e muitas dezenas de compositores, e ainda hoje inspira novas obras. Sugiro então: http://www.folias.nl/

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Musidanças

Firmino Pascoal, velho amigo e companheiro no desbravar de terreno no panorama musical, fez-me chegar um convite que merece ampla divulgação, sugerindo também a consulta do site http://festivalmusidancas.blogspot.com/ .

Nos dias 6, 7 e 8 de Novembro
Festival Musidanças (Festival de Artes do Mundo Lusófono)
Este ano vai decorrer nas instalações dos Tocá Rufar:
Rua José Vicente Gonçalves, 8 J
Parque Industrial do Seixal
2840 – 068 Aldeia de Paio Pires, Seixal
Tel.: 21 226 90 90 - Fax: 21 226 90 89
e-mail: tocarufar@tocarufar.com

COMO CHEGAR?
coordenadas GPS: 38 36' 01.13" N, 9 04' 19.95" W
Comboio (estação Fogueteiro)
Autocarros
Barcos

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Conta-mo outra vez

Conta-mo outra vez: é tão bonito
que não me canso nunca de escutá-lo.
Repete-me outra vez que o par
do conto foi feliz até à morte.
Que ela não lhe foi infiel,
que a ele nem sequer lhe ocorreu enganá-la.
E não te esqueças de que, apesar do tempo e dos problemas,
continuaram beijando-se cada noite.
Conta-mo mil vezes por favor: é a história mais bela que conheço.

domingo, 26 de outubro de 2008

Um Domingo

Um Domingo igual a muitos outros, acordar à hora habitual, ir à missa habitual, voltar para casa, almoçar, etc. No fundo, continuar pelos caminhos já tantas vezes calcados. Então onde está a novidade, aquilo que deverá fazer com que cada dia não seja o decalque de tantos outros? Está na forma como fazemos todas essas pequenas coisas que compõem o nosso dia, está no amor que entregamos nos nossos pequenos gestos, está em deixarmo-nos surpreender pelas pessoas que encontramos como se fosse a primeira vez, está nas ninharias e vulgaridades onde afinal, se não estagnámos no progresso da nossa vida, deveremos ver algo sempre diferente. Pode nada mudar nas coisas, nos afazeres, nas pessoas. É um facto. Mas se aos nossos olhos tudo permanece igual, então nada mudou em nós. Dou um exemplo: um quadro. Olhamos para ele e tudo está lá sempre na mesma. Mas se nós aprendermos algo sobre história da arte, sobre pintura, se nos cultivarmos, esse quadro passará a ser visto por nós de uma forma diferente, começamos a ver nele algo que nunca vimos antes. Assim são os dias da nossa vida, quão iguais nos parecem e tão diferentes os deveríamos ver.

A título de ilustração, dou aqui o link de algo que possivelmente até já vos chegou por e-mail, a Guernica, de Picasso, vista em 3D. Tudo parecer novo e tudo esteve sempre lá. Então visitem: http://www.lena-gieseke.com/guernica/movie.html

sábado, 25 de outubro de 2008

O que estou a ouvir

Nas mensagens intituladas "O que estou a ouvir", EU CONTO sempre algo sobre CDs que nesse dia me encantaram. Não necessariamente os mais recentes. Por vezes são discos que até já ouvi antes e que, ao ouvir de novo, me parece merecerem ser mais divulgados.



Hoje apresento-lhes a música de Hovhaness (1911–2000), compositor que de uma forma erudita antecipou a chamada música "New Age" ou "World Music". A sua música transmite uma quietude, uma elevação espiritual, que não hesitaria em recomendá-lo para quem a procura esse estado de espírito. Mas não tem apenas essa qualidade, é música do séc. XX que não procura chocar, desassossegar, como outras que tiveram essa missão. Nela encontramos linguagens usadas por culturas milenares e sonoridades a que não estamos habituados no mundo ocidental. É fácil gostar da sua música, não requer qualquer preparação especial de maior erudição, acaba por se tornar simples de ouvir. Aconselho-a em pequenas doses de cada vez, ouvindo apenas uma obra em cada sessão (com excepção para as pequenas obras) e não logo todo o CD. Até porque o CD que aqui recomendo tem obras quase hipnóticas: Music of Alan Hovhaness - Yolanda Kondonassis (Harpa). Nele podemos ouvir as obras:
"Spirit of Trees", Sonata for harp & guitar, Op. 374
Concerto for harp & string orchestra, Op. 267
"Upon Enchanted Ground", for flute, cello, giant tam-tam & harp, Op. 90
Sonata for harp, Op. 127
"The Garden of Adonis", suite for flute & harp (or piano), Op. 245


Oiçam, e usufruam da seneridade e beleza que esta música transmite.
Recomendo ainda ler as notas biográficas na Wikipedia
Outro CD a ouvir também: Hovhaness - Mysterious Mountains

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cristina Branco

Encontrámo-nos num CD há 5 anos atrás. Preparava eu um programa para os Essências do Café, grupo que refiro na mensagem Chá dos 5, um programa com canções cuja letra fosse de Ary dos Santos. O CD a que me refiro era Corpo Iluminado. O fado Meu Amor, Meu Amor (Meu Limão De Amargura), foi uma das experiências mais intensas das minhas fugazes incursões neste género musical. O que ouvi foi uma voz plena de expressão, sem necessitar rebuscar muito na ornamentação que agora parece tornar-se moda, uma dicção límpida, e um acompanhamento instrumental belíssimo. Comparei com o tema originalmente cantado por Amália Rodrigues; Cristina Branco era, neste fado, notoriamente melhor. Foi para mim uma fonte de inspiração para todo o trabalho e tornou-se num dos fados da minha vida. Conto noutra altura falar aqui de novos fadistas, e do meu fadista: Carlos do Carmo.
Para saber mais sobre Cristina Branco, ficam aqui dois sítios: