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quarta-feira, 31 de março de 2010

Geologia

Kirstie Cohen: Ice Mountain

Andamos horrorizados com as notícias. Corrupção, pedofilia, terrorismo...
Serenamente aceitamos as dificuldades que a natureza nos traz... mais difícil é aceitar o que de mau vem do coração do homem. Gente de bem, protegem-se uns aos outros... mas um dia o chão pode virar.

José Rui

GEOLOGIA

Às vezes são homens de bem
empurrados para esta vida,
resquícios de erosão da montanha,
paisagens antigas
enterradas sob o gelo.

Nada está garantido
numa geologia tão frágil. Este chão
pode virar-se sem aviso.
Ainda assim, sejam bem-vindos,
fiquem tristes à vontade.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinzas de quarta-feira











(...)

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


(1894-1930)
Amar

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Balanço


Fim de Ano!... Um olhar para o passado, talvez em jeito de balanço. Olhar sério, olhar profundo: o tempo escorre na ampulheta da vida... Um olhar que se deita para trás, que procura avaliar o que se fez. Várias coisas bem, é certo: são elas que mais valorizamos. Mas entre o bem que fazemos, podemos pensar no bem onde colocámos o nosso amor, e é um bem, bem feito. Encontraremos então muitas acções que resultam num bem, mas não foram revestidas do nosso empenho e cuidado, não saíram realmente do coração. Foram um bem menos bem feito!
Nesse olhar para trás encontraremos ainda as nossas omissões: tantas situações que resultaram num vazio, só porque não nos quisemos desassossegar, uma passividade que hoje vemos como uma conveniência pessoal. Oportunidades perdidas... acharemos que o acaso nos vai dar segunda oportunidade? É melhor aproveitar a primeira, sempre que possível!
Mas um ano novo está à porta, uma nova década, como A. M. me lembrava num SMS. Ano Novo, novo ano, cheio de promessas, como tudo quanto é novo... E renovado entusiasmo nos impele a abrir as portas à esperança e entrar com ela no futuro. Bom Ano 2010!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bom ou mau

Ser bom, ser mau... isto talvez se resolva pela matemática, uma média aritmética. Se a matemática é infalível, isto deve dar um "mais ou menos"...
Errado! Na vida não se é "mais ou menos"! Umas vezes conseguimos ser bons, outras nem por isso. Fundamental é que os dias em que chegamos ao fim com a sensação de dever cumprido, tranquilos na nossa consciência, prevaleçam sobre os menos bons... aqueles em que achamos que não fizemos o nosso melhor, ou que alguém não teve um dia bom por causa da omissão do que de bom poderíamos ter dado.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Direitos da Criança

Em 20 de Novembro de 1989, as Nações Unidas adoptaram por unanimidade a Convenção sobre os Direitos da Criança.
Faz hoje 20 anos (ver Unicef).
É com as crianças e os jovens que trabalho no meu dia-a-dia, é a elas que transmito tudo quanto sei, da música e da vida.
Sinto a forma sincera e incondicional com que se confiam a mim e em mim, sei da responsabilidade de cada palavra ou gesto meu. E do respeito que lhes devo. Por isso, de forma paternal, a elas entrego o meu conhecimento e a minha amizade. Cada aluno sabe que teve/tem/terá em mim mais do que o professor. Confio a cada um a minha arte, e uma grande parte da minha vida.

E porque tenho lido muito de Eugénio de Andrade, aqui deixo um dos seus textos que lhes dedico neste dia:

Em Louvor das Crianças

«Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultâneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.» (1)
in Rosto Precário

(1) - Nota do bloguista: filhos de Deus somos... ainda que tantas vezes não o pareçamos, e tanto tempo demoremos a aprender tal.
Miserere mei, Deus: secundum magnam misericordiam tuam.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Amor

O Amor.
Queremo-lo infinito.
Em nós e no mundo.
Chamamos por ele, e quantas vezes com a alma aos berros!
Não precisamos de tanto, o amor é pássaro assustadiço, foge dos nossos ruídos interiores.
Não é tempestade nem chuva que enlameie o nosso ser.
É antes nuvem clara, brisa suave.
Escancaramos a alma e ele parece não entrar.
E contudo basta-lhe uma pequena fresta.
Para receber o Amor mais puro não necessitamos gritar.
Basta abrir a alma em esperança, qual flor que se abre para recolher as gotas do orvalho.
José Rui

P.S. - Sim, depois vem a parte mais difícil... conservar, acrescentar, partilhar essas gotas de orvalho!...

domingo, 1 de novembro de 2009

A Vida

Gustav Klimt: A árvore da vida (detalhe da zona central)

Hoje é o dia em que a tradição da Igreja Católica celebra aqueles que já partiram e, assim acredita, alcançaram já a plenitude da comunhão divina.
Isto faz-me reflectir sobre o que é a vida, esse dom que recebemos mas do qual não somos donos. Devemos ter consciência de que a vida nos é dada para a fazer frutificar! E não falo apenas de filhos, essa vida que nasce da nossa vida! Falo também de cultivar esse dom da vida no conhecimento, na vivência espiritual, no amor, nunca deixando que ela seja prisioneira das nossas próprias mãos. Viver na passividade é morrer antes de o corpo ter falecido! É assim que o próprio Homem introduz no mundo a verdadeira morte.
A vida e o que frutifica desse dom, quer circular continuamente tal como a água que corre: se a retemos torna-se salobra, estagnada, apodrece e morre. Colocarmo-nos voluntariamente à margem da corrente da vida, é o maior de todos os nossos pecados. É verdadeiramente a nossa entrega à morte eterna: não dar amor, e por vontade própria renunciar ao amor que nos é dado.
Procuremos então VIVER!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Revelar


Costumam revelar a amizade, o amor, àqueles que amam ou de quem são verdadeiros amigos? "Ah, eles sabem, sentem-o claramente!" - é um argumento habitual. Mas na verdade todos anseiam essa revelação, esse "conta com a minha amizade" ou "é a ti que eu amo", ouvi-lo vezes sem conta ao longo da vida, mesmo que se saiba que assim é.
Repetir esse voto é também a sua renovação. E a amizade, o amor, querem-se sempre renovados, nunca estagnados. Repetir essa afirmação é bom para o outro, é bom para nós. Que sentido tem a vida se não tivermos a quem o dizer? E se não ouvirmos de alguém esse "preciso de ti"?
A amizade e o amor são um contínuo dar a vida ao outro, e recebê-la dele.
JRF

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A terra que nós somos

Terra. Nós somos como ela. Cai em nós a semente trazida pelo vento de um encontro, de uma conversa, de uma leitura, de uma mensagem, de uma música: somos terreno para tudo germinar em nós.
Que nasce dessa semente? Dará fruto? A variedade do fruto conforme a semente, a qualidade do fruto conforme a qualidade da terra. Mas há ainda aquilo que alimenta esse terreno e o torna fértil, a água que o rega, o sol que nele bate, a matéria biológica que o torna mais rico. Assim como em nós o nosso pensar, sentir, viver...
Somos terreno onde cresce o belo fruto, ou onde podem germinar ervas daninhas que impedem o fruto de crescer. E não o deixemos ao acaso, aí deveremos intervir nós: cuidar do que nasce no nosso terreno, permitir que o fruto seja cada vez melhor em força e virtude, e limpar a terra de tudo o que a esse fruto possa causar dano.

domingo, 20 de setembro de 2009

Ajudar o próximo

Ajudar o próximo nem é assim tão difícil! Uma contribuição monetária para uma instituição que lhe dará apoio, que tratará da sua saúde, e a nossa consciência fica tranquila! Mas se esse próximo está mesmo próximo? Quero dizer, se esse próximo está tão perto de nós que nos cruzamos diariamente com ele? E se for nosso colega? E se for um nosso amigo? E se até for nosso familiar? E se é alguém cujo olhar nos interpela, alguém que precisa de nós enquanto pessoa, e não dos nossos bens? E se ele nem for muito amável connosco, nem reconhecido para com o nosso gesto?
Ajudar o próximo torna-se assim em algo mais difícil, temos que ser nós a fazê-lo, de forma sincera e desinteressada, e não podemos "comprar" quem o faça por nós!
A esse ajudar o próximo chamaremos antes "amar o próximo", e o amor dá-se: não se compra nem se vende!
E o próximo ali está... tão próximo todos os dias!...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A ansiedade do futuro

Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio

«O principal defeito da vida é ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar. Quem, todavia, quotidianamente der à própria vida "os últimos retoques" nunca se queixará de falta de tempo; em contrapartida, é da falta de tempo que provém o temor e o desejo do futuro, o que só serve para corroer a alma. Não há mais miserável situação do que vir a esta vida sem se saber qual o rumo a seguir nela; o espírito inquieto debate-se com o inelutável receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? Há um apenas: que a nossa vida não se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio. (...)»

Séneca, in "Cartas a Lucílio"

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Os nossos sonhos

Salvador Dali: Rosa Meditativa
"Um sintoma da morte dos nossos sonhos são as nossas certezas. Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a julgar-nos sábios no pouco que pedimos da existência. E não percebemos a imensa alegria que está no coração de quem está a lutar."

(Paulo Coelho:
O Diário de um Mago)

E apetece aqui citar Fernando Pessoa: "Somos do tamanho de nossos sonhos".
Sejamos então cada vez maiores!

domingo, 14 de junho de 2009

Um ideal

Um ideal, um princípio orientador para a nossa vida. Que seja grande para engrandecer a nossa vida, tão grande quanto deverá ser a nossa aspiração. Que nem nos caiba no peito, que siga à nossa frente para nos iluminar o caminho.
Há quem tenha medo de ter um ideal, é por vezes mais cómodo ir gerindo o dia a dia sem ter que olhar o horizonte... um ideal interpela, às vezes até nos violenta... então é melhor encontrar um ideal levezinho, fácil de arrastar, para que sejamos nós a puxar por ele em vez de ele puxar por nós... Neste caso, nem o ideal o é verdadeiramente, já que não produz qualquer acção!
Forma o teu ideal! Não o queiras copiar de ninguém! É certo que há exemplos que nos servem de referência, mas o ideal é nosso, é pessoal e único como cada um de nós o é!
Certamente o reformularemos ao longo da vida, das várias etapas percorridas. Há que o actualizar, para o reanimar, para o repensar. Mas é sempre tempo de ter um, mesmo para quem já viveu muito.
Como o encontrar? Entra em ti, medita, ouve-te a ti mesmo e, principalmente, a quem suavemente o sopra ao teu ouvido.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ninharias

A futilidade alastra por aí, já não é coisa que nos espante. Que as pessoas vivam dessas futilidades e para essas futilidades já começa a preocupar! Ninharias que parecem sempre caber no profundo poço da miséria humana, mas que o vão enchendo até não mais lá ter lugar o verdadeiramente importante. Isto faz pensar!...
Assim acontece nas relações pessoais, matrimoniais, de amizade, de trabalho, perde-se o horizonte do fundamental e vive-se apenas o acessório, o imediato. Valoriza-se mais a pequena parte (às vezes a pior!...) do que o todo, julga-se uma pessoa por um ínfimo gesto, desligado do todo que é a sua vida! E assim nos desiludimos e iludimos tantas vezes, respirando o fútil, o banal, até ficarmos intoxicados; incapazes de inalar a verdadeira riqueza de uma relação, desprezando e desvirtuando a autenticidade do que em nós é realmente grandioso.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Livro

«Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação. Em «César e Cleópatra» de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.

(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria.»
Jorge Luís Borges (1899-1986)
in "Ensaio: O Livro"

sábado, 14 de março de 2009

Todos somos responsáveis

Dei uma volta lá fora. Curta volta, mas uma volta. É interessante o exercício de ver os outros e colocarmo-nos no lugar deles. Porque é que aquele bebeu demasiado? Porque acelera o outro, roncando, querendo chamar a atenção de todos? Está ali um casal de costas voltadas, que terá quebrado o seu diálogo? Um grupo de adolescentes circula como quem está pronto para pontapear mais uma paragem de autocarro; que revolta vai no seu coração para assim se quererem vingar? Bom, já chega!
E regressei, voltei para dentro, para dentro de mim. Veio à minha memória a forte e gritante frase de João XXIII: "Somos responsáveis por todos os homens".
Tudo o que se passa no mundo, tudo o que afecta a vida de um homem ou de uma mulher, nos diz respeito.
Podemos nós ficar calados diante das escolhas erradas que o mundo faz?
Já não há em nós uma consciência crítica sobre o que nos rodeia?
O nosso silêncio não nos tornará cúmplices daqueles que destroem o mundo e que condenam ao sofrimento e à miséria tantos homens e mulheres?
Poderemos acomodar-nos no nosso cantinho, demitindo-nos das nossas responsabilidades?
Às vezes não apetece mesmo ir lá fora... mas ainda que fosse para o deserto, continuaria co-responsável pela humanidade a que pertenço: maior seria a irresponsabilidade, fugir à responsabilidade!
"Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos." (Antoine de Saint-Exupéry)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cinzas

Muitas vezes os nossos corações estão duros e fechados. Somos insensíveis aos outros. Estamos cinzentos e sujos como as cinzas.
Muitas vezes o nosso olhar julga os outros, desaprova-os, lança-lhes olhares cinzentos e sujos como as cinzas.
Muitas vezes não nos apetece avançar. Ficamos no mesmo sítio. Somos vencidos pela preguiça. Ficamos atolados nas cinzas cinzentas e sujas.*


Acordai, uma voz nos chama!
(Wachet auf, ruft uns die Stimme)
J. S. Bach, BWV 645 (No Órgão, Ton Koopman)



*Uma reflexão sobre a Quarta-feira de Cinzas, baseada num texto de rAP, que inspirou a colocação aqui desta obra musical.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O caminho

"Na obsessão de chegar, muitas vezes esquecemos o mais importante: é preciso caminhar."

"Quando se viaja em direcção a um objectivo é muito importante prestar atenção ao caminho. O caminho é que nos ensina sempre a melhor maneira de chegar, e enriquece-nos, enquanto o cruzamos."
in O Diário de um mago, Paulo Coelho

Estas duas frases que encontrei num livro de Paulo Coelho, ajudam a ilustrar o sentido que procurei dar ao poema da mensagem anterior: Há que manter a linha do horizonte, sabemos que ele existe mesmo sem estar a vê-lo, mas não devemos esquecer-nos de olhar à nossa volta durante o percurso. Não devemos deixar de desfrutar da beleza desse mesmo percurso. Se o fizermos, melhor caminharemos, melhor evitaremos caminhos sinuosos que nos desviem do objectivo final.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ondas

"Todo o litoral a Norte do rio Tejo está hoje com o aviso máximo, Vermelho, do Instituto de Meteorologia (IM) por se prever ondulação forte entre os seis e os nove metros."
Pode ler-se no PÚBLICO.

Como é belo o mar no Inverno, como é belo de contemplar.
As ondas, na sua imponência, desafiam as barreiras de defesa. Batem nos rochedos, teimosas, persistentes.
No Inverno podem quebrar à vontade na praia, despojadas da massa humana que no Verão mal as deixa ver.
E lavam a praia, de todas as sujidades que por lá vão ficando, sem ligar às tabuletas que as catalogam, sem ligar aos homens que delas se tentam apropriar.
Assim pudessem os homens ser invadidos por ondas que lavassem tanta sujidade que fica espalhada no seu coração...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Farol

Pintura a óleo: Lewis and Lewis
Faróis distantes...
Incerteza da vida...
Voltou crescendo a luz acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...

Álvaro de Campos
(Fernando Pessoa)




Dominador da escuridão, forte e incisivo, o farol atira-se contra a noite, na tormenta e na bonança. Assinala os perigos, encaminha para bom porto, dá referências para navegar.
Assim é o ideal. Edificação grandiosa que sobressai na vida de cada qual. Nas horas calmas é belo de contemplar. Nas difíceis, ele está lá: luminoso, forte e seguro, na sua total grandeza. Quem nunca o edificou sentir-se-à perdido, abandonado às vagas incertas, vencido.
Um ideal! Saber o que se quer na vida, dar sentido ao viver.
Numa fortaleza assim erguida, ainda que a chama se apague, alguém a virá acender.