domingo, 15 de fevereiro de 2009

Esta manhã

"Esta manhã, antes do alvorecer, subi a uma colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho."
(1819 - 1892)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Santo Rebelde

Nos tempos da minha juventude tomei contacto com alguns textos de Dom Hélder Câmara. Fiquei intrigado com o homem que assim falava. Foi preciso muito reflectir para entender as suas afirmações como "Só as grandes humilhações nos levam ao recesso último de nós mesmos, lá onde as fontes interiores nos banham de luz, de alegria e de paz.".
No dia 7 de Fevereiro passaram 100 anos desde o seu nascimento. Em Agosto terão passado 10 anos do seu falecimento.

Impressionei-me agora a ouvi-lo falar na "Missa dos Quilombos" (YouTube). Melhor compreendo o seu desabafo: "Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista."

As minhas felicitações ao blogue
Religionline por ser agora blogue convidado do jornal Público, e pelo serviço que presta a quem se interessa pelas religiões.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O caminho

"Na obsessão de chegar, muitas vezes esquecemos o mais importante: é preciso caminhar."

"Quando se viaja em direcção a um objectivo é muito importante prestar atenção ao caminho. O caminho é que nos ensina sempre a melhor maneira de chegar, e enriquece-nos, enquanto o cruzamos."
in O Diário de um mago, Paulo Coelho

Estas duas frases que encontrei num livro de Paulo Coelho, ajudam a ilustrar o sentido que procurei dar ao poema da mensagem anterior: Há que manter a linha do horizonte, sabemos que ele existe mesmo sem estar a vê-lo, mas não devemos esquecer-nos de olhar à nossa volta durante o percurso. Não devemos deixar de desfrutar da beleza desse mesmo percurso. Se o fizermos, melhor caminharemos, melhor evitaremos caminhos sinuosos que nos desviem do objectivo final.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Para além da curva da estrada












Foto - Sílvia Moscoso: Guadramil - Rio de Onor

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,

E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.]
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
in "Poemas Inconjuntos"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Presente










Rabi Khan: Eye

Queria neste poema a cor dos teus olhos
e queria em cada verso o som da tua voz:
depois, queria que o poema tivesse a forma
do teu corpo, e que ao contar cada sílaba
os meus dedos encontrassem os teus,
fazendo a soma que acaba no amor.


Queria juntar as palavras como os corpos
se juntam, e obedecer à única sintaxe
que dá um sentido à vida; depois,
repetiria todas as palavras que juntei
até perderem o sentido, nesse confuso
murmúrio em que termina o amor.


E queria que a cor dos teus olhos e o som
da tua voz saíssem dos meus versos,
dando-me a forma do teu corpo; depois,
dir-te-ia que já não é preciso contar
as sílabas, nem repetir as palavras do poema,
para saber o significado do amor.


Então dar-te-ia o poema de onde saíste,
como a caixa vazia da memória, e levar-te-ia
pela mão, contando os passos do amor.

Nuno Júdice (n. 1949)
in "O Estado dos Campos"

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O que estou a ouvir

Fico espantado como inexplicavelmente desconheço certos compositores! Eu e tantos músicos que deviam estar a tocá-los!
Poder-se-ia dizer que são alguns daqueles tão escondidos e com obra reduzida, que nos passam ao lado. Mas não! Este de que aqui falo foi famosíssimo na sua época! O Musicalisches Lexicon (1732) de Johann Gottffried Walther, dedica-lhe uma entrada com duas colunas, enquanto J. S. Bach ocupava apenas dois terços de uma coluna.
Falo de Johann David Heinichen (1683-1729), compositor do barroco alemão, teórico musical e advogado. Mattheson, em 1739, formulou a frase "três importantes H's da música alemã" para se referir a Handel, Heinichen and Hasse. Sublinho ainda que em 1717, Heinichen trabalhou na corte do Príncipe Leopoldo de Anhalt-Cöthen, onde foi colega de Bach. Depois, foi Mestre de Capela (o equivalente maestro e director musical) em Dresden.
As primeiras gravações da sua música datam de anos recentes e foram trazidas até nós por Reinhard Goebel com o seu ensemble Musica Antiqua Köln. Destaco os Dresden Concerti, dos quais é possível ouvir aqui o Concerto em Sol Maior, S213 (1. Allegro; 2. Allegro; 3. Entrée; 4. Louré. Cantabile). Vamos então continuar a ouvir.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

100!

Comemoramos hoje algumas coisas:

100ª mensagem
1 ano de "Eu conto"
E se leram a mensagem de há um ano...




Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!

(1919-2004)

domingo, 25 de janeiro de 2009

A Curva dos Teus Olhos

Alaya Gadeh: Secrets of Life










A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
É uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.

(1895-1952)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

The Boss

Bruce Springsteen está de volta, agora com o álbum "Working on a Dream". Não seria ainda notícia aqui, já que só sairá a 26 de Janeiro, mas há quem já o tenha ouvido (crítica no Ípsilon, do Público, por Mário Lopes).
É notícia também porque podem ouvir já um dos temas: download legal e gratuito do tema "Life itself" Aqui .

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ondas

"Todo o litoral a Norte do rio Tejo está hoje com o aviso máximo, Vermelho, do Instituto de Meteorologia (IM) por se prever ondulação forte entre os seis e os nove metros."
Pode ler-se no PÚBLICO.

Como é belo o mar no Inverno, como é belo de contemplar.
As ondas, na sua imponência, desafiam as barreiras de defesa. Batem nos rochedos, teimosas, persistentes.
No Inverno podem quebrar à vontade na praia, despojadas da massa humana que no Verão mal as deixa ver.
E lavam a praia, de todas as sujidades que por lá vão ficando, sem ligar às tabuletas que as catalogam, sem ligar aos homens que delas se tentam apropriar.
Assim pudessem os homens ser invadidos por ondas que lavassem tanta sujidade que fica espalhada no seu coração...