terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Arte 2010

Aqui fica uma sugestão aberta a todos quantos queiram desenvolver os seus dotes artísticos! Uma realização da escola de música onde ensino.
Fica a notícia e o desafio!

De Amor, de Terra, e de Água

Há mais de um ano comecei a ler os poemas de Maria Mamede no seu blogue
De Amor e de Terra.
Mais tarde, pelos meus anos, uma grande amiga fez-me a surpresa de me oferecer o seu livro Lume.
Outros dos seus livros, dos quais já falei anteriormente, vieram até mim e me encantaram.
Desta vez tive o gosto conhecer pessoalmente a autora, e de participar no lançamento do seu livro Da água toda. Embalado nos seus poemas, senti-me tocar cada um deles, como se a Flauta fosse um prolongamento da clareza, expressividade e doçura da sua voz. Não procurei acompanhá-los como uma música de fundo, mas sim que o som da Flauta fosse naquele momento uma parte deles.

Este lançamento foi também um encontro de amigos, dos blogues e fora deles. E dos amigos dos amigos. Obrigado a todos que marcaram presença, e aos que, não podendo estar, desejaram o melhor para esta apresentação e para o mini-recital (grande em prazer) que pude oferecer a Maria Mamede.
Deixo o poema de abertura deste livro, esperando que abra o apetite a que leiam todos os outros que dele fazem parte.

Da água toda

Da água te falei amor, da água
e de lágrimas salgadas pela mágoa
imensa aridez em cada vida;
e do sal te disse amor, do sal
que salga, que tempera, o bem, o mal
e a hora da chegada e da partida!...
de lagos, de pântanos, de medos
e de mares de água e de segredos
de rios, rios férteis de abundância
de mares unos de sonhos tão dispersos
de oceanos de limos, os meus versos
e de marés de amor, suma fragrância!...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Susana

Com este aclamativo andamento do Oratório Susanna, de Handel, saúdo a minha amiga Susana que hoje festeja o seu 40º aniversário! Parabéns!


Les Arts Florissants, direcção de William Christie (2009)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinzas de quarta-feira











(...)

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...


(1894-1930)
Amar

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Da Água Toda


Maria Mamede, poetisa que desde há muito enriquece este blogue com as suas palavras em comentários e poemas, lançará o seu novo livro Da Água Toda no dia 20 de Fevereiro, sábado, pelas 21.30h, no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses.

A apresentação estará a cargo do Prof. António M. Oliveira, e eu colaborarei com a interpretação de algumas obras musicais para Flauta solo e em alguns duetos de Flauta e Poesia.

Estão todos convidados!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Apetece por vezes

Alfred Gockel: Fade Away

apetece por vezes com os dias morrer por um pequeno
instante e deixar os fogos soltos na areia. acrescentar
água à face e perturbar os sentidos em busca da única
luz ou então sentir os movimentos e escrever a uma

amiga. dizer assim como quem fala: que espécie rara
de deus é o teu? a vida é ficar abraçado às dunas
apenas se há dois braços de areia por quem sonhar.

vir então aos poucos contando os mastros do verão
cumprindo o desejo das cartas de mar e assim mesmo
confundir todos os relógios da rota apenas para ter

mais tempo para ficar. o resto é saber o alfabeto de
cor até ao fim para que as palavras vão nascendo
devagar até ser sonho no sono dos dias ou ser sono
dentro de mim

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Black Dog

Esta mensagem é uma introdução a outra que irei publicar dentro do capítulo "O que estou a ouvir".
Já imaginaram o que poderá resultar da colaboração em dueto da maior voz do rock, Robert Plant (Led Zeppelin), com a estrela da country, Alisson Krauss? Em 2007/2008 receberam 6 Grammys! Falarei posteriormente desse disco. Agora oiçamos o lendário tema Black Dog cantado pelo dueto em estilo bluegrass!


E agora a versão original, essa que me fez saltar da cadeira no filme/documentário The Song Remains the Same:

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Manual

Certamente a maior parte dos meus leitores já reparou, mas a outros terá passado despercebido: as mensagens que publico têm em geral mais informação do que aquela que se vê à primeira vista.
Vejamos: um poema. Ele está lá, mas há geralmente um link para obter informação sobre o autor. Pode estar ilustrado com uma imagem, e lá está certamente um link com informação sobre o autor. Se for ilustrado por um vídeo musical, há geralmente informação sobre os intérpretes.
Ah, e por vezes as imagens remetem para algumas surpresas!

Aqui fica este quase "manual de instruções" sobre as mensagens do blogue.

Uma curiosidade: há mais de um ano ilustrei um poema com uma imagem da artista plástica Alaya Gadeh (Alemanha). Ela veio a descobrir essa associação imagem/poema, e tanto a apreciou que resolveu colocar o poema junto da imagem original! Tal como eu coloquei links para o seu trabalho, também ela citou a fonte de inspiração para essa associação, e ao que parece tem recebido elogios!
Releiam a mensagem de 25/01/2009 A Curva dos Teus Olhos e sigam os links (na imagem e na autora).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Vens?

Pergunto-me o que espero se sei que não vens.
Oiço o vento puxar conversa.
A minha indiferença vai castigar-me.
Apetece-me fechar os olhos... teimo!
Não combinámos hora,
não combinámos nada.
Pensei apenas que viesses…
como às vezes vens!
É bom quando temos algo combinado.
Sei que vens,
preparo-me.
Aproxima-se a hora e o entusiasmo aumenta,
por isso gosto de combinar!
Não apenas para saber se vens,
para viver intensamente o momento anterior à tua chegada!


in Pin, uma explicação de ternura

Prelúdio da Suite em Sol Maior, BWV 1007, de J. S. Bach,
uma das célebres páginas da história da música.
Tanya Tomkins - Violoncelo barroco

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vens

Billie K.: Sweet Dreams (detalhe)


















12


vens
caindo
pela dor
acomodando

nuas palavras
à ferida de ter
perdido. a face é
pequena para sentir

o que em nós sobrevive
no instante em que a voz
desce as sombras desse dia

onde voltar já não se escreve
com medo das marés. podes agora
subir: é como estar (de novo) na luz



João Luís Barreto Guimarães
in Rua Trinta e Um de Fevereiro (1991)