domingo, 10 de janeiro de 2010

O que estou a ouvir

Take Love Easy. Este título vem mesmo a propósito da mensagem anterior.
Mas agora falo do novo CD de Sophie Milman.
Muitos dirão desta bela cantora de 26 anos, "cá está outra menina bonita à procura da fama"... o certo é que já vai no seu 3º CD, e todos eles de elvada qualidade artística!
Em Take Love Easy encontraremos standards tradicionais do Jazz e ainda versões jazzísticas de temas de Joni Mitchell, Bruce Springsteen, Paul Simon e Tom Jobim. Como pode ouvir-se AQUI, os temas são abordados de uma forma soft-jazz, mas com interessantes arranjos instrumentais (está muito bem rodeada!) e interpretados com uma voz sofisticada, cheia de sex-appeal.
É uma das mais promissoras cantoras de Jazz da sua geração.
Um prazer em "ouver"!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A um ti que eu inventei

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluír de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir,

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Será Primavera?

"Palavras Gastas" e "Quem Sabe Amanhã Será Primavera", dois livros de Maria Mamede (este último em co-autoria com Albino Santos).
Dois livros que me acompanharam nesta manhã.
Belas palavras que nunca serão gastas porque só me provocam encanto!
Numa manhã fria em que nem as gaivotas quiseram andar no mar, li pássaros azuis, garças brancas, melros no escuro, e as andorinhas... trazendo a Primavera hoje mesmo.
Depois de todas estas festas, a manhã que poderia ser vazia encheu-se de um sossego onde me encontrei só eu e a poesia. E é claro que assim não foi uma manhã de solidão porque a passei a saborear poemas como se fossem "broa-doce", quase lhe sentindo o cheiro a pão cozido!...
Sairei daqui a pouco para a escola. Acho que hoje os alunos irão encontrar o professor mais inspirado...
Reparo agora que nas ladeiras que me separam do Tejo os automóveis parecem rebanhos a pastar... e o céu está mais azul!...

Um pequeno bando de garças brancas
acaba de chegar, ao terreno a nascente
que tinha sido lavrado há pouco;
Seu volátil bailado
ajuda-me a reencontrar
o caminho do sonho!... ___M.M.

Obrigado, Maria Mamede.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cantata Viva


Faz hoje 15 anos que arrancou o Cantata Viva, o coro que dirijo.
Começou como um coral juvenil...
Hoje... somos todos ainda mais jovens! Haja espírito!

No IX Encontro de Coros, Silves (8/10/2008):

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lhasa de Sela

Agradeço a Ana Mendes ter lembrado no comentário da mensagem anterior, esta cantora que aqui merece justa homenagem.

Lhasa de Sela, a cantora nómada, partiu. Em nova morada dará sua voz.
A cantora americano-mexicana que contava 37 anos, morreu na sexta-feira à noite em Montreal, no Canadá, onde vivia há vários anos.
Assim noticiou hoje o Público:

“Um cancro da mama que ela combateu com coragem e determinação durante mais de 21 meses finalmente levou-a”, anunciou Savoie através de um comunicado divulgado em nome de familiares e amigos da cantora. Lhasa de Sela morreu na sua casa em Montreal no dia 1 de Janeiro, pouco depois da meia-noite, precisa o mesmo texto. Nascida a 27 de Setembro de 1972, em Big Indian, a norte do estado de Nova Iorque, Lhasa absorveu várias culturas, fruto do espírito nómada com que vivia. Viajou durante vários anos com a família pelos Estados Unidos e México. Essa diversidade cultural reflecte-se na sua música, com um imaginário de sons e palavras (em inglês, francês ou espanhol) que remetem para a América Latina, para a vida cigana ou para a cultura árabe. Lhasa começou a cantar com 13 anos em cafés e bares de São Francisco, Califórnia, com um repertório retirado do jazz. Mantendo a itinerância e o espírito de saltimbanco, a artista passou pelo Canadá, onde compôs o primeiro álbum, “La Llorona”, editado em 1997. Depois de uma longa pausa, editou "The Living Road" (2003). No ano passado, quando já se encontrava doente, Lhasa terminou o seu último disco, “Lhasa”, e, em Maio, chegou fazer dois concertos de apresentação no Théâtre Corona de Montreal e no Théâtre des Bouffes, em Paris. Segundo o comunicado do agente, a cantora preparou uma tournée internacional que devia ter arrancado durante o Outono de 2009, mas foi anulada. Lhasa trabalhava ainda num novo disco, onde interpretaria canções dos artistas chilenos Victor Jara e Violeta Parra. Os seus três discos venderam mais de um milhão de cópias em todo o mundo.

EU CONTO sugere:

CD mais representativo: The Living Road (2003)
O último CD: Lhasa (2009)
Site oficial: http://lhasadesela.com/
Para ouvir na TSF

Segredo

Alan Boileau: Nude with flower

















Nem o Tempo tem tempo
para sondar as trevas

deste rio correndo
entre a pele e a pele

Nem o Tempo tem tempo
nem as trevas dão tréguas

Não descubro o segredo
que o teu corpo segrega

sábado, 2 de janeiro de 2010

EU CONTO

Vento no rosto

Maria Lameira: Entardecer no Alentejo
À hora em que as tardes descem,
noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras formas acontecem.

As arestas emudecem.
Abrem-se flores nos olhares.
Em perspectivas lunares
lixo e pedras resplandecem.

Silêncios, perfis de lagos,
escorrem cortinas de afagos,
malhas tecidas de engodos.

Apetece acreditar,
ter esperanças, confiar,
amar a tudo e a todos.

António Gedeão
in Movimento Perpétuo, 1956

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dia Mundial da Paz

Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
in O Sol nas Noites e o Luar nos Dias, II

Henryk Górecki: Totus Tuus, Op. 60
The Sixteen conducted by Harry Christophers


É interessante ouvir um coro de música renascentista, interpretar (magnificamente!) uma obra de tão importante compositor da nossa era!

Ano Novo

Lauren Edmond: New Year's Day
O dia, hoje, foi uma taça plena,
o dia, hoje, foi a imensa onda,
hoje, foi toda a terra.
Pablo Neruda (1904-1973)
in Los versos del Capitán