quarta-feira, 3 de novembro de 2010

À beira de água

















Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.
in Os Sulcos da Sede

6 comentários:

  1. Obrigada.
    Devia ler mais Eugénio de Andrade e outros. Deixar-me de "xanax", ou do outro mais barato, e do qual já não me lembro o nome.
    Continuação de um dia bom.

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  2. Mais barato... ah, o genérico, o Alprazolan!
    Mas Eugénio de Andrade é ainda mais relaxante e como menos efeitos nocivos. Ainda assim, pode criar uma saudável dependência...

    Cumprimentos

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  3. Lindo o poema,maravilhoso o lago!
    Abraço

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  4. Tem recadinho, lá no meu canto.
    Abraço

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  5. Adoro... posso até dizer sem pudor AMO Eugénio de Andrade.
    Bela escolha!!!
    bjs

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  6. Tanta vez nos encontramos à beirinha da água, a morrer de sede!...

    Sempre belos os poemas e Eugénio de Andrade.
    Bk.
    Maria Mamede

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