quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Os nossos sonhos

Salvador Dali: Rosa Meditativa
"Um sintoma da morte dos nossos sonhos são as nossas certezas. Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a julgar-nos sábios no pouco que pedimos da existência. E não percebemos a imensa alegria que está no coração de quem está a lutar."

(Paulo Coelho:
O Diário de um Mago)

E apetece aqui citar Fernando Pessoa: "Somos do tamanho de nossos sonhos".
Sejamos então cada vez maiores!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

De tarde

E eis que dou por mim a ler Cesário Verde, O Sentimento dum Ocidental.
Recheado de poemas de carácter bucólico, que tanto apetecem ler no Verão, escolhi este que representa um interessante exemplo da sua poesia, onde é forte o visualismo e a musicalidade. Encontrei uma interessante análise AQUI que valerá a pena ler também.

De tarde


Naquele "pic-nic" de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde
(1855-1886)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O que estou a ouvir

Sketches Of Spain (1959), de Miles Davis é um dos quatro álbuns orquestrais resultantes da colaboração com o compositor-arranjador Gil Evans. Obra magistral, Sketches foi o primeiro projecto de Miles pós “Kind of Blue”, e parece influenciado por todo o carácter modal revelado na interpretação do Adagio de "Concierto de Aranjuez" (Joaquín Rodrigo). A edição que aqui destaco, apresenta o histórico álbum original acrescentado por faixas extra, ilustrando como a sinergia Miles-Evans é desenvolvida. "The Maids de Cádiz" (do álbum "Miles Ahead", 1957) é o primeiro exemplo de Gil Evans adaptando uma composição de origem espanhola para uma colaboração orquestral com Miles. A gravação ao vivo do "Concierto de Aranjuez", o único que foi dado desta obra, teve lugar no Carnegie Hall, em 1961, é-nos aqui oferecido como uma raridade de elevado valor, da interpretação desta peça central do álbum. "Teo", (do álbum “Someday My Prince Will Come”, de 1961) é uma pequena peça dedicada ao Produtor Teo Macero. "Solea" é a outra jóia do álbum original, com sua paleta orquestral que é, numa palavra, sublime.
Nos 50 anos da gravação de Sketches Of Spain, uma reedição a não perder desta obra prima do Jazz. As notas desta edição de 2009 são escritas pelo compositor Gunther Schuller (n. 1925), que muito valor deu ao Jazz nas suas composições musicais, e nos livros que escreveu.
(Fonte: Amazon)

Pode ouvir-se Concierto de Aranjuez AQUI (1ª parte) e AQUI (2ª parte)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A mulher na arte

Philip Scott Johnson mostra-nos neste artístico vídeo, 500 anos de retratos femininos que se interligam através de uma fusão obtida pelo trabalho digital da imagem.
O fundo musical é a Sarabande da Suite para Violoncelo No. 1 em Sol Maior, BWV 1007, de J. S. Bach, interpretada por Yo-Yo Ma.
Vale a pena apreciar o magnífico trabalho em alta resolução (para banda larga) AQUI!

Folclore

Na mensagem anterior falei da importância de preservar a nossa cultura musical tradicional, mas é evidente que da tradição popular herdámos muito mais que a música! Há um vasto conjunto das tradições, lendas, crenças populares, provérbios, contos, canções, a que genericamente se chama Folclore. Fui lembrado disso por um simpático e-mail da equipa do Portal do Folclore Português e da Cultura Popular Portuguesa. Aqui recomendo aos meus leitores uma visita a http://www.folclore-online.com/ , onde ficarão a conhecer muito mais sobre as nossas tradições em múltiplos aspectos, da música à gastronomia, e percorrer vários "trilhos" que neste site são propostos!

sábado, 25 de julho de 2009

A música tradicional

Muito me preocupa o nosso património etno-musical! Tenho feito o possível por ir despertando o interesse nos meus alunos, futuros músicos. Às gerações vindouras deveremos passar essa herança que recebemos das gerações anteriores, e ensinar a cuidar e valorizar esse precioso tesouro, construído ao longo de séculos!
Felizmente partilho essas preocupações com outros que, pela sua vocação e orientação musical, mais empenhadamente encontram soluções. Assim, para quem ainda não o conheça, aqui está a ligação para visualizar o Mapa Etno-Musical do nosso país!
Felicito os autores da iniciativa, Júlio Pereira, João Oliva e Sara Nobre!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lua

Recordo essa noite em que assisti em directo à 1ª viagem humana à Lua. Faz agora 40 anos.
A minha homenagem aos que nesse projecto mostraram a capacidade do génio humano.
Fica o link para o site oficial desta efeméride: http://www.nasa.gov/mission_pages/apollo/40th/index.html

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Xadrez













Regem em seu recanto os jogadores
as lentas peças. O tabuleiro
demora-os toda a noite no severo
âmbito em que se odeiam duas cores.

Dentro irradiam mágicos rigores
as formas: torre homérica, ligeiro
cavalo, heril dama, rei postreiro,
oblíquo bispoe e peões provocadores.

E quando os jogadores tiverem ido,
e quando o tempo os tenha consumido,
decerto não terá cessado o rito.

Incendiou-se no Oriente esta guerra
cujo anfiteatro é hoje toda a Terra.
Este jogo, como o outro, é infinito.

(1899-1986)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Flagrante Delícia


Por vezes divulgo aqui blogues que me cativaram em especial.
Apesento-vos um blogue de excepcional qualidade, que me deliciou! E não foi só pelo seu nome: Flagrante Delícia.
De conteúdo muito bem escolhido pela sua autora, Leonor de Sousa Bastos, tudo é apresentado com artísticas fotos de Miguel Coellho. Os meus parabéns!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pina Bausch: tudo é dança

Ao longo de 40 anos de trabalho, a bailarina e coreógrafa Pina Bausch (1940-2009) revolucionou o mundo da dança. Há até quem diga que as suas criações não eram dança, mas teatro-dança. Os bailarinos em cena não dançam. Correm. Gritam e riem, contam piadas. Alguém derrama água e joga terra no chão do palco. Talvez até cresça relva ali. Piruetas velozes e pernas esticadas para o alto são coisas inexistentes nas suas encenações. Mas seres humanos – pessoas vivas com medos, amor, tristeza e fúria. "O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move”, refere Pina Bausch a propósito de seu trabalho.

Pina Bausch
A dança da emoção
Cafe Müller