segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Meu amor, meu amor


As Palavras das Cantigas (anotações do autor)



















Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

Ary dos Santos (1937-1984)
in As Palavras das Cantigas

Ary dos Santos, falecido há 25 anos, faria hoje 72 anos.
Assinalo esta efeméride com um poema que Alan Oulman tão bem musicou.

10 comentários:

  1. Ui..., como eu gosto de Ary, e não só d'"As Palavras das Cantigas".
    Logo à noite, em princípio, virei aqui novamente, já com o livro na mão, e escreverei outras palavras, também das cantigas.

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  2. Olá Rui
    Fico contente de reler Ary, é sempre bom.
    Mas perdoe a ousadia de gostar ainda mais do sentido das palavras acompanhadas da música do Alain.
    Foi com ele (Alain- "Pitou" seu petit nom, para familiares e amigos) que aprendi a gostar de música, e especialmente de fado, era meu familiar directo, e não se descrevem as horas de namoro entre palavras e música, que acabavam em casamentos maravilhosos e felizes, que ainda hoje resistem.
    O Alain era um compositor que sabia como ninguém escolher poetas. Ary dos Santos foi para além de um amigo um homem que sabia dizer, o que dizer, ainda hoje faz falta ...
    Um abraço por estas recordações que nos traz.
    Eduarda

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  3. Obrigada, Rui!
    Adoro Ary. Que bom lê-lo aqui. Muitos beijos

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  4. "Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
    Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
    Era tarde, tão tarde, qua a boca tardando-lhe o beijo morria. ..."

    "Minha laranja amrga e doce
    meu poema
    feito de gomos de saudade
    minha pena
    pesada e leve
    secreta e pura
    minha passagem para o breve breve
    instante da loucura. ..."

    "... Natal é em Dezembro
    mas em Maio pode ser.
    Natal é em Setembro
    é quando um homem quiser. ..."

    Bom feriado J. Rui.

    Fátima

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  5. Desta vez, eu, a menina do splash, conhece a música e a letra. ;)

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  6. Parabéns pela lembrança e pela partilha.
    Ary, além dos belíssimos poemas em livro,que só chegam a alguns, deixou-nos extraordinárias palavras que chegam a todo o mundo, através das canções, que continuam a encantar os nossos vindouros.
    Bjs.
    M.M.

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  7. Saudades de passar aqui.
    De te ouvir as palavras. Mesmo quando não são (as) tuas.
    Que bem que fizeste em recordar Ary dos Santos:-)

    (Estarei destinada a perder todos os teus concertos? :-(
    Beijossssssssssssssss

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  8. AnaMar, os próximos concertos serão com o meu Coral Cantata Viva, integrados nos XXI Concertos de Natal, no Seixal.
    Dia 12 de Dez., 21.30 h, Teatro S. Vicente (Paio Pires)
    Dia 13 de Dez., 18.00 h, Igreja Beato Scalabrini(Amora)
    Não tocarei muito, estarei mais a dirigir. Mas a música natalícia escolhida é muito bela!

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  9. Zé Rui: no Nuôrte nada? Estás a renegar o nuôrte!!!

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