quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Bist du bei mir

Stölzel: Bist du bei mir
Klaus Mertens, barítono; Ton Koopman, órgão



Esta ária foi durante muito tempo atribuída a Bach, por estar incluída no livro que ofereceu a sua esposa, Ana Madalena, em 1725. Parece algo de mórbido, mas na obra de Bach a morte aparece frequentemente retratada como uma alegria, o tão esperado encontro com Deus.

Bist du bei mir, geh ich mit Freuden
Zum Sterben und zu meiner Ruh.
Ach, wie vergnügt wär so mein Ende,
Es drückten deine schönen Hände
Mir die getreuen Augen zu.

Em português:

Se estiveres comigo, partirei com prazer
para a minha morte e para meu descanso.
Ah, que final agradável para mim,
Se as tuas queridas mãos forem o último que eu veja,
fechando os meus fiéis olhos para descansar!

---=oo=---

Agora o soneto de Pablo Neruda que esta ária me recordou:

Quando eu morrer quero as tuas mãos nos meus olhos:
quero que a luz e o trigo das tuas mãos amadas
passem uma vez mais sobre mim e a sua frescura:
que sintam a suavidade que mudou o meu destino.

Quero que vivas enquanto eu, dormindo, te espero,
quero que os teus ouvidos continuem a ouvir o vento,
que sintas o perfume do mar que ambos amamos
e continues a pisar a areia que pisamos.

Quero que tudo o que amo continue vivo
e a ti amei-te e cantei-te sobre todas as coisas,
por isso, ó florida, continua a florir,

para que alcances tudo o que o meu amor te ordena,
para que a minha sombra passeie pelos teus cabelos,
para que assim conheçam a razão do meu canto.


Pablo Neruda (1904-1973)
in Cem Sonetos de Amor

12 comentários:

  1. E não é que eu ouvi isto ontem e não te comentei?
    A música é tristita, mas Neruda é algo indescritível. Deste poeta gosto.

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  2. A vida, a Morte, o Amor... as grandes razões da poesia, da música, da arte em geral, no meu entender.

    Bonitas as tuas escolhas, como sempre.

    Beijos

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  3. Susana, é verdade que esta ária tem alguma tristeza, mas é belíssima e aqui está tão bem cantada!...
    Brevemente falarei de uma das minhas cantatas de Bach preferidas, a Cantata BWV 82 "Ich habe genug". É mais ainda mais triste, mas tão bela! Comove-me ouvi-la... contarei mais tarde.

    Nuvem, muito me alegra que gostes do que aqui encontras! Obrigado, volta sempre.

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  4. É verdade o que dizes, mas sabes como eu sou com tristezas...;)
    O meu CD novo está qs qs a chegar!

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  5. ...se estiveres a meu lado...

    (a partida será de sol
    no imenso azul
    e o dia, eterno
    um passeio infinito;
    mãos dadas, seguiremos
    no encalço das garças
    e subiremos à falésia
    donde tudo se avista...
    depois, abrindo os braços
    ao sol que não morre
    seremos anjos!...

    Bjs. Zé Rui
    e perdoe o atrevimento, mas não resisti.

    Maria Mamede
    .

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  6. Maria Mamede, "atreva-se" sempre a dar tão belas contribuições para este blogue, que tanto me honram! Serão certamente apreciadas também pelos leitores que aqui vêm!

    Muito obrigado.
    Abraço grande para si!

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  7. Vou quebrar a seriedade desta página com um momento de ópera muito divertido (eu acho). Espero que gostes.

    Ana Mendes

    http://www.youtube.com/watch?v=0w6BpSDlk5E&feature=related

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  8. Ana Mendes, obrigado pela escolha que aqui deixaste. É na verdadade uma das melhores interpretações desta famosa ária em dueto de Mozart. Nicolaus Harnoncourt é sempre uma garantia de qualidade, particularmente no barroco e, como neste caso, no clássico.

    Abraço

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  9. Acho que já escrevi aqui: a morte faz parte da vida - digo eu.
    A música é lindíssima. E não acho mórbida a letra. Apenas outra forma de cantar o "amor".
    Assim como o poema de Pablo Neruda: um poema de amor.

    Abraço J. Rui.
    Fátima

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  10. Respostas
    1. Muito obrigado pela sua visita e apreço!
      Cumprimentos

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