quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Green God (o Verde Deus)

Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce

Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos.
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
a um ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.

Na Flauta de bambu: Manose (Flautista Nepalês)

5 comentários:

  1. Tu e as flautas! Amanhã ouço. Hoje já não posso fazer barulho!

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  2. Não conheço muito de Eugénio de Andrade mas este poema é belíssimo. E a música... intemporal...

    Beijo

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  3. Cá está o "nosso" Eugénio com um belo poema.
    A música a condizer com o som de uma flauta mágica.
    Bonito!

    Um abraço.

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  4. Gosto um pouquinho muito mais dos teus outros conselhos musicais. Gwendal tem feito um enorme sucesso!

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  5. Eugénio de Andrade que adoro, ao som da magia.
    Obrigada e beijo.

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