sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tempo


Não sei se te nomeie ou nomeie o vento,
isto que passa
e procura os outros lugares onde o pólen cai.
Talvez uma colmeia confie ao seu mel o que
ficou de um ano
em que a tempestade não se fez ouvir sobre
as corolas.
O que viste antes de Setembro perdeu-se,
apagou-se,
afastou-se sem dizer nada,
como os barcos que pouco a pouco se
afastaram da nossa vida,
calados e brancos,
com as suas gaivotas de asas fechadas,
envelhecendo lado a lado, sobre o convés.

(1948)

8 comentários:

  1. :) Também eu, neste corrente Outono, volto a um dos meus temas recorrentes de reflexão: o tempo.

    Um abraço.

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  2. o que se vê antes de setembro são as maresias de final de tarde embaladas no majestoso voar das gaivotas
    um beijo

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  3. Gosto mais das gaivotas em voo... em sonho
    .
    assim, de asas fechadas, é como se se sufocasse o sonho e este se afogasse juntamente com o barco que acabará por se diluir na água.
    Sim, gosto mais das gaivotas quando voam.

    Bom fim de semana

    Bijos

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  4. andamos a falar do tempo...

    um abraço

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  5. Não me importava de envelhecer, gaivota, com a minha gaivota, fosse onde fosse. Ainda era tempo de voar, lado a lado!

    Bom fim-de-semana JRF.

    (lá cantar até canta, mas não (en)canta nem pretende (en)cantar) :)))

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  6. O tempo... esse ocioso que nunca envelhece...
    Belíssima a gravura que escolheste para este post.
    Tem um fim-de-semana criativo :-)

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  7. Obrigada JRF!
    Antigamente não (não tinha motivo), mas agora, e até aqui, nesta virtualidade, o que me "cai bem", comove-me..., lamechices... :)

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  8. Como a brisa do próprio vento, este poema...

    Beijos

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