terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ao céu regresso

Steven Kenny: Constellation 3
Ao céu regresso.
Quero dizer
à terra anoitecida
pelo amor.
Extasio-me
com a terrestre vida dos astros.
Passeio
por uma estrada de estrelas.
Isto é
uma estrada de flores sublimadas
pela noite.
Vou visitar um estábulo
em pleno universo.
Zodíaco.
Jardim zoológico astral.
Lá estão as constelações
irradiando o seu frio.
Quero dizer
os animais pela memória
desterrados.
Regresso à noite.
Piso a escuridão.
Olho o céu
como se a terra visse.
As estrelas são flores.
As constelações são animais.
O céu é um jardim
com um estábulo no meio.
Comem flores os animais da terra.
Mastigam estrelas os do céu.
O céu também é um chão
mas um chão feito de memória.
Estão lá os mitos.
Isto é
homens elevados
pela luz e pela palavra.
Pisam-se lá em cima astros
como em baixo
se pisam pedras.
No céu passo por mitos
e por ideias.
Estão lá poemas.
Quero dizer
coisas metaforizadas
por esta outra noite do mundo
íntima e secreta
que são as palavras.

António Cândido Franco
in Estâncias Reunidas

António Cândido Franco, ensaísta, romancista e poeta, nasceu em 1956 em Lisboa. Professor da Universidade de Évora, conta com mais de trinta obras publicadas. Recebeu, em 1993, o prémio de ensaio da Associação Portuguesa de Escritores. Em 2002 reuniu a sua poesia em Estâncias Reunidas (1977-2002).

5 comentários:

  1. Olá José Rui.
    Vivendo no Seixal, conhece de certeza:
    http://www.animateatro.org/

    Quanto às publicações, os meus olhos fixam-se logo é na "imagem", e o que vejo aqui é fantástico. Não consigo aceder ao "link", mas hoje, aqui, a "net" tem estado sempre a falhar.

    Em relação ao poema, leio com agrado, mas não sei se o interpreto bem, então não vou dizer nada, não vá entrar mosca ou sair asneira :)

    "Ouvi dizer" que anda com muito trabalho, mas parece-me bastante interessante, apesar de difícil.

    Bom trabalho!!!

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  2. Zé Rui: sinto como a contracena, alguma dificuldade com o poema...

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  3. Fátima, olá! Que aconteceu ao Contracenar?

    Conheço o Animateatro, tenho acompanhado a sua actividade desde início. Conseguiram desbravar terreno e assumir um papel importante na actividade de representação e formação teatral do conncelho do Seixal.

    O poema: uma forma um tanto surrealista de ver o zodíaco. Achei lindo, eu que adoro astronomia, ver o firmamento como um jardim!

    Muito trabalho, é verdade... mas compensador pela alegria de ver obras musicais voltar à vida!
    Darei notícias quando da sua apresentação pública.

    Um abraço agradecido pela sua presença regular no meu blogue. Tenho muito gosto nisso!

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  4. Susana, nova imagem! Muito bem!

    Quanto ao poema... bem, o melhor é leres a resposta que dei à Fátima.

    Beijo e até breve

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  5. Adorei o poema. Hoje dia de visitas, encontro-me nas palavras dos outros.
    Também estas me fizeram bem.

    (Também regresso à terra anoitecida pelo amor :-))

    Bjs

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