terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tanto silêncio

Maxwell Hutchinson: Attributes I

Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras «o teu coração»)?

Manuel António Pina (1943)
in Os Livros

7 comentários:

  1. Palavras simples mas cheias de conteúdo...

    Gostei de ler, em merecido silêncio. Bj

    ResponderEliminar
  2. Nem sempre nas palavras cabe o eu.
    Acho que o coração pode ser bem maior e que não cabe em palavras, ainda há muitas por inventar.

    Bjos

    ResponderEliminar
  3. Aqui encontro sempre bons poemas... é sempre um bom regresso...

    abraço

    ResponderEliminar
  4. Li. Mas........ é demasiado silêncio para mim ;)

    ResponderEliminar
  5. E o pior é quando, silênciamos as palavras e o coração, dói, dói... que se farta!!!
    Um abraço
    Eduarda

    ResponderEliminar
  6. Obrigada José Rui!
    Entretanto silencio, porque, e principalmente na vida real, necessito (re)pensar(me). Uma pequena introspecção. Nada de grave!

    Abraço.
    Fátima.

    «também está desculpado..., ainda não tive tempo para a tal pequena introspecção :)»

    ResponderEliminar
  7. Bela escolha.
    Grata pela partilha, pois desconheço a obra do autor.
    Mesmo tendo consciência da utilidade do silêncio...a mim pesa-me, não o suporto.
    Beijinhos

    ResponderEliminar