
Há reflexões, conhecimentos, opiniões, que devem ser partilhadas. Há quem apenas goste de o fazer numa esfera mais íntima. Foi também assim que o fiz sempre. Mas a dado momento comecei a perceber que as minhas modestas ideias poderiam contar para mais alguém. Hoje recebo mensagens de pessoas que nem conheço, dizendo que as minhas palavras, a minha escolha de poemas, de CDs, foram importantes para elas. Então não seria importante se todos nós falássemos mais uns com os outros? Quantos há com qualidades e capacidades muito superiores às minhas que deixam as suas palavras por dizer? E mesmo os mais simples e humildes, que histórias de vida não encerram neles e que ficam por contar?
Por ser dia de S. Martinho lembrei-me do meu avô materno, Eduardo, o Sr. Lopes, como era conhecido em Bragança. Neste dia assava deliciosas castanhas à lareira, com um saber e empenho como se fosse essa a sua profissão. E enquanto nos deliciávamos com as tostadas sementes saídas do ouriço, contava-nos as suas histórias, transmitia-nos oralmente o seu testemunho de uma vida, ensinava-nos os valores que fizeram dele um homem respeitado em toda a cidade onde vivia; um simples soldado da Guarda Fiscal mas muito considerado, desde os humildes vizinhos (de quem chegava a ser "enfermeiro"!) até aos coronéis que serviu com lealdade.
Sim amigos, mesmo o cidadão mais anónimo conta. Não importa o que cada um é na vida, conta muito mais a forma como o é.
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